2025
Amor de perdição, de Camilo Castelo Branco
Acrílico sobre tela com colagens · 60 × 80 cm · c / moldura
Escrito em 1861 na Cadeia da Relação do Porto e publicado no ano seguinte, Amor de perdição condensou a fatalidade amorosa do romantismo português numa história de violência familiar, autoridade e desterro. Simão e Teresa ocupam o centro visível do romance, mas é Mariana, que ama sem reciprocidade, quem expõe o custo humano da paixão dos protagonistas.
A paleta reconstrói o ambiente fechado de um Portugal provinciano. O azul acinzentado cobre quase toda a superfície e procura conter o encarnado da paixão que permanece por baixo. Teresa atravessa a composição, esbelta e firme, mas esbatida e envolvida pelas cartas dirigidas a Simão. A tela, porém, é dedicada a Mariana: a companheira de martírio que dá tudo e recebe, como resposta, um agradecimento.
Tempos a Tempos guarda duas leituras separadas por décadas. Na adolescência, o romance foi uma obrigação penosa; relido em adulta, tornou-se outro livro e revelou a força das figuras que a narrativa e a sociedade empurram para a margem. A pintura não corrige Camilo. Corrige a primeira leitura da artista.
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