2025
O poema O tigre d'oiro, de Jorge Luis Borges
Acrílico sobre tela · 120 × 100 cm · c / moldura
O tigre acompanha Borges ao longo de poemas, contos e ensaios, sempre ligado àquilo que as palavras perseguem e não alcançam. No poema do livro O Ouro dos Tigres, o ouro reúne o animal observado na infância, as grades do jardim zoológico e o amarelo que persistiu quando a cegueira apagou as outras cores. A pintura não decifra o símbolo. Mantém a distância entre o animal real e as imagens que a arte fabrica dele.
A artista pinta essa distância. O tigre é soberano e grande demais para o espaço que ocupa. Está tranquilo, indiferente a quem o observa. O dourado é cortado pelas riscas negras, simultaneamente pele e grade. Na base, o azul-índigo introduz outra profundidade e aproxima o animal do Oriente que alimentou a imaginação literária de Borges.
Irrealidades assume a dificuldade de pintar aquilo que Borges dizia e que só a sua linguagem alcança. A tela aceita essa derrota. O tigre fica à vista e continua fora de alcance.
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