Acrílico sobre tela, pastel de óleo · 120 × 100 cm · c / moldura 
2026
À entrada da exposição, esta tela não responde a um livro particular: responde à experiência de ler. Funciona como pórtico de A Outras Cores: estabelece que a literatura não será ilustrada, mas devolvida em tinta. A leitura surge, desde o início, como acto de criação e de agradecimento.
Duas cerejas presas ao mesmo pé. Uma é de quem escreve, a outra de quem lê e pinta, e o caule que as segura é o livro. A fruta tem estação, amadurece e desaparece. O que ficou escrito continua à espera de quem o leia outra vez. Pintada em grande formato, a fruta deixa de ser um pormenor de cozinha e passa a valer como emblema.
O título interrompe a comparação antes de a concluir. Essa suspensão não pede uma resposta certa, mas a participação de quem entra: cada visitante poderá decidir a que se assemelham as palavras e o que transportam de uma vida para outra. As cerejas duram uma estação. Os livros desta exposição duraram décadas na memória de quem os leu.
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