2025
O quarteto de Alexandria, de Lawrence Durrell
Acrílico sobre tela · 100 × 100 cm · c/ moldura
Justine, Balthazar, Mountolive e Clea, publicados entre 1957 e 1960, formam uma das experiências narrativas decisivas da ficção britânica do pós-guerra. Os três primeiros volumes reorganizam acontecimentos próximos através de perspectivas diferentes; o quarto introduz o avanço do tempo. Durrell traz para o romance uma ideia da física do seu tempo: cada versão corrige a anterior, nenhuma personagem possui a verdade inteira e Alexandria intervém no destino de todas.
A pintura distribui-se por quatro campos, um para cada volume, e abre no centro uma janela sobre a cidade. A brisa quente traz ruídos, cheiros e a mistura de comunidades que definiu a Alexandria cosmopolita. Do lado de cá instala-se a sensualidade demorada de uma sesta ao fim da tarde. O voile branco move-se, cria transparências e sobrepõe planos. Cumpre na tela a função que a atmosfera exerce no quarteto, onde perceber depende sempre da posição de quem olha.
Ela é um pronome sem dono. Pode ser a mulher desejada, pode ser a cidade que a formou, pode ser a ideia incompleta que cada personagem faz da outra. A tela preserva essa indecisão porque escolher uma resposta única contrariaria a arquitectura dos quatro romances.
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