2026
O Cardeal, de Henry Morton Robinson
Acrílico sobre tela, pastel de óleo · 100 × 120 cm · c/ moldura
O Cardeal, romance de grande circulação publicado em 1950 e adaptado ao cinema por Otto Preminger, acompanha Stephen Fermoyle desde o início do sacerdócio até à hierarquia cardinalícia. A Primeira Guerra Mundial, a Grande Depressão e a ascensão do fascismo atravessam a sua formação religiosa. Lido hoje, o livro documenta também os limites da mentalidade católica norte-americana do seu tempo, sobretudo quando o destino das mulheres é subordinado à doutrina e à decisão masculina.
A tela divide-se entre a púrpura das vestes cardinalícias e o ocre de uma consciência em dúvida. Entre as duas zonas, o corpo feminino reúne as várias mulheres do romance: Ghislana Falerni e Lalage Menton, inacessíveis a Fermoyle, e a irmã, que morre quando a obediência doutrinal impede a intervenção que a poderia salvar. O cinzeiro introduz uma memória mais privada. Nele surge o provérbio italiano «L’amore fa passare il tempo; il tempo fa passare l’amore», que Fermoyle fixa num jantar, onde vem a saber que Ghislana Falerni, a paixão que tinha calado, casaria com outro.
Ao sair desse jantar, Fermoyle pergunta se ficará preso para sempre. O título, Nunca Esquece?, responde à pergunta: o tempo pode alterar a paixão, mas não apaga a culpa de quem decidiu, se omitiu ou chegou tarde. A cor cardinalícia deixa então de significar apenas poder. Passa a carregar a culpa acumulada nesse percurso.
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