2025
O Velho e o Mar, the Ernest Hemingway
Acrílico sobre tela · 120 × 100 cm · c / moldura
Publicada em 1952, a novela recebeu o Pulitzer no ano seguinte e foi destacada pela Academia Sueca quando Hemingway recebeu o Nobel, em 1954. Com um homem, um peixe e o mar, O Velho e o Mar concentra a economia verbal do autor: os factos permanecem à superfície e a emoção acumula-se por baixo deles. A derrota material de Santiago não anula a disciplina, a coragem ou a dignidade com que a enfrenta.
Na tela, o velho cresce até à escala de um colosso, mas o rosto não chega a fixar-se. As rugas dissolvem-se na água: o velho já pertence ao mar. O peixe surge já reduzido à carcaça presa ao barco. As cores fortes e inesperadamente alegres deslocam a cena para o olhar de uma criança. Não é a lembrança de quem assistiu à pescaria: Manolin foi impedido pelos pais de acompanhar Santiago e ficou em terra. É a imagem que ele poderia ter construído à espera do regresso.
Acordar nomeia uma experiência biográfica precisa. Este foi o primeiro livro que fez a artista chorar por uma vida que não era a sua e lhe mostrou a diferença entre ler e guardar para sempre o que se leu. Daí o grande formato e o lugar no início do percurso. Foi com este livro que a leitura passou a ter consequências fora da página.
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